terça-feira, 30 de agosto de 2011

Medo de recessão cresce com alta do petróleo

RD online (terça-feira, 30 de agosto de 2011)

A disparada do petróleo pesa sobre a economia global e contribui para os temores de novo mergulho na recessão. Assim como em 2008, o enfraquecimento da atividade mundial vem precedido de picos das cotações da commodity, numa mostra de que os ecos da crise pós-Lehman Brothers não chegam somente por meio da turbulência nos mercados. Especialistas concluem que o petróleo acima de US$ 100 causa destruição de demanda e é nocivo para a economia global.
A escalada da matéria-prima registrada neste ano é vista como um dos motivos para a desaceleração nos países desenvolvidos neste momento. A elevação dos preços pressionou os índices de inflação e fragilizou ainda mais a renda e o poder de consumo da população. Isso veio num momento de forte instabilidade externa em razão da crise de dívida soberana na zona do euro.
"O petróleo tentou subir acima de US$ 100 em 2008 e a economia entrou em colapso. Tentou de novo em 2011 e estamos enfrentando forte desaceleração", disse Olivier Jakob, analista da consultoria Petromatrix. "Os preços do petróleo se tornaram novamente um peso, atingindo níveis que ameaçam a economia global", aponta o Centro para Estudos Energéticos Globais (CGES, na sigla em inglês).
As cotações passaram por uma verdadeira montanha-russa nos últimos anos. Depois de quase bater em US$ 150 em meados de 2008, no pico da bolha das commodities, o barril desabou para a casa dos US$ 30 no início de 2009. A partir daí, engatou recuperação, que ganhou força no ano passado com a nova rodada de alívio monetário nos Estados Unidos e o desempenho dos emergentes. Em 2011, os conflitos no norte da África e no Oriente Médio pesaram e o barril revisitou a cotação de três dígitos, antes de o WTI voltar para a casa de US$ 85.
O economista-chefe do HSBC, Stephen King, acredita que a valorização da matéria-prima "não poderia ter vindo num pior momento", afinal a economia mundial ainda se recupera da crise provocada pelo colapso do Lehman Brothers.
A relação entre os elevados preços do petróleo e a ocorrência de recessão foi verificada em outros momentos da história, como nos choques registrados nas décadas de 1970 e 1980.
Segundo o CGES, os gastos totais com petróleo representarão 7% do Produto Interno Bruto (PIB) global neste ano. Esse nível foi atingido pela última vez em 2008. Para o instituto, dados históricos mostram que a economia global enfrenta dificuldades quando os custos com a matéria-prima ficam acima de 5% do PIB e, em 2011, não deve ser diferente.
A perspectiva para os preços da commodity no longo prazo é de alta, em razão das limitações de oferta e aumento constante da demanda, especialmente pelo avanço econômico dos emergentes. Entretanto, o petróleo se transformou num ativo financeiro e passou a oscilar conforme outros fatores que não os fundamentos. A queda do dólar, por exemplo, deixa a commodity, que é cotada na moeda norte-americana, mais barata e alimenta a busca por contratos futuros.
Nesse sentido, a política monetária ultra-acomodatícia praticada pelos principais bancos centrais acaba tendo o efeito indesejado de puxar a matéria-prima, prejudicando a economia.

terça-feira, 12 de abril de 2011

HELP

Bruno, dê um help pois os 3 vídeos que eu enviei não estão disponíveis. Cliquei num outro que vc mandou e também não vi que é o funcionamento da plataforma de petróleo. Será que tem algum problema do blog com os vídeos? Abs. Marcelo Simas

VÍDEOS E APRESNTAÇÕES DIVERSAS

Pessoal, vou começar a enviar os 4 vídeos. As apresentações em PowerPoint o Bruno ficou de ver como posso postar para me dar um retorno pois o blog não aceita - estranho !?. Se não conseguir mandar via blog, vou enviando aos poucos em pacotes pois tenho limitações de tamanho para arquivos, ok? Abs. Marcelo Simas









quinta-feira, 7 de abril de 2011

FMI alerta para 'escassez crescente' de petróleo

FMI alerta para 'escassez crescente' de petróleo
RENATO MARTINS - Agencia Estado
(07 de abril de 2011 | 15h 14)

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que os governos devem se preparar para uma "escassez crescente" de petróleo nos mercados globais e para picos agudos de preços nos próximos anos. Para o FMI, embora o efeito da escassez de petróleo possa ser apenas um "freio menor" para a expansão da economia global no médio e no longo prazo, "esses efeitos benignos no crescimento global não devem ser tomados como premissa, desde que a escassez, ou seus efeitos para o crescimento, poderão ser mais significativos".

Em um capítulo de seu relatório Perspectiva da Economia Mundial, divulgado nesta quinta-feira, o FMI diz que "na prática, será difícil fazer uma distinção clara entre mudanças inesperadas na escassez de petróleo e choques mais tradicionais e temporários, especialmente no curto prazo, quando muitos dos efeitos na economia global serão similares".
O relatório completo será divulgado na próxima semana, antes da reunião de primavera do FMI, na qual a alta dos preços das commodities deverá ser discutida. No capítulo revelado hoje, o Fundo exorta os governos a assegurarem que suas economias estejam preparadas para lidar com mudanças inesperadas na oferta e nos preços do petróleo - por exemplo, reduzindo os subsídios aos preços dos combustíveis, de modo a proteger a posição fiscal dos governos, mas também fortalecendo as "redes de segurança" para os mais pobres - e a encorajarem políticas que promovam fontes alternativas de energia.
O crescimento forte da demanda por petróleo nos países emergentes, combinado com as preocupações quanto a possíveis interrupções na oferta do petróleo produzido no Oriente Médio, levou os preços a subirem mais de 25% no ano passado.
Endossando a opinião de muitos analistas, para quem a produção global de petróleo vai atingir seu pico em breve, se é que já não começou a declinar, o relatório do FMI reconhece que a maturação de muitos campos de petróleo vai limitar a capacidade de alguns países produtores de elevar sua capacidade de produção.
Para o FMI, uma volta ao crescimento anual de 1,8% na produção global de petróleo, visto entre 1981 e 2005, "parece improvável". "As possibilidades variam entre uma redução maior na tendência de crescimento da oferta e uma redução propriamente dita na produção de petróleo, temporária ou mais permanente", diz o relatório.
As projeções do FMI são de que uma desaceleração de 1 ponto porcentual no crescimento da oferta global de petróleo, para 0,8% ao ano, reduziria o crescimento anual do Produto Interno Bruto (PIB) global em menos de 0,25% no médio e no longo prazo. Ainda assim, a transferência de riqueza dos países importadores para os exportadores faria crescerem os fluxos de capital e ampliaria os desequilíbrios de conta corrente que já existem.
Os economistas do Fundo advertem, porém, para o potencial para "mudanças grandes e abruptas", tendo em vista os riscos geopolíticos associados ao mercado de petróleo. "Efeitos adversos poderão ser muito maiores, dependendo da extensão e da evolução da escassez de petróleo e da capacidade da economia mundial para lidar com uma escassez maior", diz o relatório. As informações são da Dow Jones.

Escassez de petróleo pode colocar em risco crescimento mundial, diz FMI

Escassez de petróleo pode colocar em risco crescimento mundial, diz FMI
Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington
(Atualizado em 7 de abril, 2011 - 13:45 (Brasília) 16:45 GMT)

Uma maior escassez de petróleo pode colocar em risco a economia global, diz um documento divulgado nesta quinta-feira pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
Apesar de afirmar que um aumento "gradual e moderado" da escassez de petróleo teria um impacto pequeno no crescimento econômico mundial no médio prazo, o FMI alerta que "persistem os riscos" de que a escassez seja mais significativa, assim como seu impacto na economia global.
"Seria prematuro concluir que a escassez de petróleo será inevitavelmente uma limitação forte para o crescimento mundial", diz um capítulo do relatório World Economic Outlook (“Perspectiva da Economia Mundial”, em tradução livre), antecipado pelo Fundo. O relatório completo será lançado na próxima semana, durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington.
Uma simulação analisada pelo FMI mostra que "uma desaceleração significativa e inesperada" no crescimento da oferta de petróleo equivalente a 1 ponto percentual reduziria o crescimento mundial anual em menos 0,25% no médio e no longo prazo.
"No entanto, esse efeito leve no crescimento global não deve ser considerado garantido, já que a escassez ou seu impacto no crescimento podem ser mais significativos", diz o texto.
Riscos
Segundo o FMI, a maior escassez de petróleo é evidenciada por uma tendência de aumento nos preços e é resultado do rápido aumento da demanda em economias emergentes ao mesmo tempo em que há redução no crescimento da oferta.
Além dos fatores apontados pelo FMI, o mercado internacional de petróleo vem também registrando altos preços por conta de crises internas em diversos países produtores no Oriente Médio e no norte da África.
"Existem riscos para a oferta, entre outros, de origem geopolítica, que implicam que a escassez de petróleo poderia ser mais grave e manifestar-se em variações fortes e abruptas", diz o documento. Caso isso ocorra, "os efeitos no crescimento seriam proporcionalmente maiores", dependendo de seu impacto na produtividade.
"Um choque negativo persistente na oferta de petróleo implicaria uma escalada dos fluxos internacionais de capital e uma ampliação dos desequilíbrios em conta corrente", diz o documento.
Para reduzir o impacto, o Fundo sugere que as autoridades revisem se seus marcos de política econômica vigentes permitiram adaptação fácil a um eventual aumento "forte e imprevisto" da escassez de petróleo.
Também afirma que as autoridades deveriam avaliar políticas que reduzam o risco de escassez, "entre elas o desenvolvimento de fontes alternativas e sustentáveis de energia".
Estados Unidos
Em outro capítulo do relatório sobre a economia global divulgado nesta quinta-feira, o FMI alerta que o "endurecimento" da política monetária americana representa um "efeito negativo adicional" em termos de fluxos de capital para economias com exposição financeira direta aos Estados Unidos.
"E esse efeito é proporcional à magnitude da exposição", diz o documento. "É mais forte quando a alta da taxa de juros dos Estados Unidos é imprevista e as condições mundiais de financiamento são favoráveis."
A exposição financeira direta aos Estados Unidos é medida segundo a proporção de ativos e passivos americanos dentro do total e ativos e passivos externos de determinada economia. De acordo com o FMI, o efeito negativo adicional é menor em economias emergentes que têm mercados financeiros domésticos relativamente profundos e crescimento vigoroso.
Desde o ano passado, muitas economias emergentes, entre elas a do Brasil, enfrentam problemas devido ao fluxo excessivo de capital estrangeiro. Segundo o FMI, os fluxos de capital para mercados emergentes se recuperaram em um prazo "surpreendentemente" curto depois da crise mundial, a partir de 2009, não tanto pelo seu nível, mas principalmente pelo ritmo.
No caso do Brasil, o governo já adotou várias medidas para tentar conter esse fluxo excessivo, que acaba valorizando o real frente ao dólar e prejudicando o desempenho das exportações brasileiras.
No entanto, em outro documento divulgado nesta semana, o FMI afirmou que as medidas adotadas pelo governo brasileiro para conter os fluxos de capitais, como as relacionadas ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), não tiveram efeito de longo prazo sobre a taxa de câmbio, e que o real está "sobrevalorizado".
Reunião de primavera
O controle de capitais deverá ser um dos principais temas discutido na próxima semana pelos ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais dos países do G20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) que estarão em Washington durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial.
O documento divulgado nesta quinta-feira afirma que os fluxos de capital para as economias emergentes parecem mover-se de acordo com as condições globais de financiamento. "Aumentam drasticamente quando essas condições são favoráveis - ou seja, quando as taxas de juros e a aversão ao risco são baixas em nível mundial - e depois caem", diz o texto.
O FMI também afirma que os fluxos são temporariamente mais elevados nas economias emergentes quando seu crescimento é mais vigoroso do que o das economias avançadas. O Brasil e vários países emergentes registraram forte desempenho econômico logo após a crise, em contraste com o ritmo lento de recuperação nas economias avançadas.
Segundo o FMI, "a variabilidade dos fluxos de capital" provavelmente seguirá sendo "inevitável" tanto para economias emergentes quanto para avançadas. Com isso, diz o Fundo, as autoridades devem adotar medidas para evitar riscos ao crescimento econômico e à estabilidade financeira.